leis da gestalt

Teoria e principais leis da Gestalt: um estudo da forma

Quem estuda arquitetura, design gráfico, publicidade ou psicologia certamente já deve ter ouvido falar na teoria e nas leis da Gestalt (ou “gestaltismo”). Você sabe o que todas essas áreas acadêmicas tão diferentes têm em comum e o que essa palavra tão esquisita quer dizer?

Na verdade, trata-se de uma teoria que procura estudar em detalhes de como o cérebro humano percebe e organiza os estímulos visuais que recebe. Ficou curioso? Neste post você vai entender melhor como funciona o princípio de Gestalt e todas as questões que envolvem suas leis.

Confira!

O que é o princípio da Gestalt?

O princípio da Gestalt foi desenvolvido no início do século XX por dois famosos teóricos: Wolfgang Köhler e Kurt Koffka. Eles observaram que a mente humana tem um comportamento bem padronizado ao perceber as formas vistas nos objetos, nas pessoas, nos cenários e em tudo o que enxergamos.

Os gestaltistas afirmam que, ao receber um estímulo visual, nosso cérebro não recebe uma excitação sensorial isolada, mas vários sinais complexos que agrupam todas as características que consideramos semelhantes, somando rapidamente todas as partes do item visto.

Isso significa que, à primeira vista, percebemos os objetos em sua totalidade, para só depois nos atentarmos aos detalhes. Essa teoria é facilmente comprovada por ações da nossa rotina: ver desenhos nas nuvens e formas (de cruz, de animais e formas geométricas) nas constelações são exemplos disso.

Por que você deveria conhecer o princípio da Gestalt?

Tudo o que foi explicado sobre a percepção do que vemos também vale para o nosso comportamento. Você pode não perceber, mas nós empregamos esse princípio na maioria dos aspectos de nossas vidas. O modo como combinamos nossas roupas, como agimos em grupo e até como enxergamos um anúncio publicitário é influenciado pela Gestalt.

Como um profissional da área do design, você provavelmente deseja que suas criações sejam visualmente significantes para o receptor da sua mensagem, certo? Para isso, você pode aplicar algumas técnicas de emoção e percepção com o objetivo de prender a atenção de seu cliente.

Nesse caso, você pode usar algumas leis do Objeto da Gestalt como base para a criação de estratégias chamativas, já que estas são resultados de uma análise de interpretações e padrões comportamentais criados pelo nosso cérebro.

Quais são as leis da Gestalt do Objeto?

A Gestalt aplicada na percepção de objetos possui oito leis básicas. Inclusive, é possível que você já as tenha utilizado em alguma criação gráfica sem nem ter ideia dos seus reais significados. Saiba mais:

1. Lei da Unidade

Leis da gestalt-unidade

A lei da unidade consiste em afirmar que a percepção de um elemento pode ser construído por uma ou até mesmo várias partes que constroem o todo. Sendo assim, uma unidade é percebida como um elemento único.

Essa lei se faz presente em diversas criações publicitárias famosas. Uma delas é o logo da Adidas. A disposição de faixas retangulares cortadas do símbolo é um exemplo fiel de como uma composição original pode ser feita a partir de pequenas unidades já existentes.

2. Lei da Segregação

Leis da gestalt-segregação

Essa lei foca na capacidade perceptiva de isolar, evidenciar ou identificar objetos, ainda que sobrepostos, dentro de uma composição. Isso acontece por causa da variação estética (cor, textura, sombra, brilho, etc) que um elemento possui em relação ao outro.

Na construção de anúncios, pôsteres e identidade visual de marcas é muito comum o uso de contrastes para obtenção de uma leitura visual impactante e melhor entendimento pelo público. Também é possível estabelecer “níveis” de segregação, hierarquizando os objetos na imagem para valorizar uma parte mais importante em relação à outra.

3. Lei da Unificação

Leis da gestalt-unificação

A unificação pode ser definida pela igualdade ou equilíbrio de estímulos em todos os elementos de uma determinada composição, formando um objeto coerente e harmonizado.

Símbolos como o yin-yang e as mandalas são exemplos desse tipo de lei, pois utilizam uma proporção balanceada de proximidade e semelhança para criar a imagem de um todo bem harmônico e agradável aos olhos.

4. Lei do Fechamento

Leis da gestalt-fechamento

Muito usado em logotipos (como Carrefour, NBC e Johnnie Walker), o fechamento parte do princípio de que o nosso cérebro “fecha” a formação de imagens completas quando vemos apenas formas inacabadas ou silhuetas.

Isso significa que, ao deixar a mente se guiar pela continuidade de uma forma, ela já é capaz de prever toda a sua estrutura sozinha.

5. Lei da Continuidade

Leis da gestalt-continuidade

A continuidade diz respeito à forma como a sucessão de elementos e o fluxo de informações funciona em nosso cérebro. Ela representa, ainda, a tendência de que objetos acompanhem outros no sentido de alcançar uma forma — seja pelo uso de cores, volumes, texturas e formas estruturalmente estáveis.

Muito presente na arquitetura de edifícios grandes, escalas de cores e diagramação de textos, a continuidade procura estabelecer a melhor percepção possível aos olhos.

6. Lei da Proximidade

Leis da gestalt-proximidade

Elementos distintos que se posicionam de formas muito próximas uns dos outros tendem a ser percebidos juntos — e, consequentemente, interpretados como apenas uma unidade. Essa impressão é ainda mais forte quando esses elementos são semelhantes.

Vários publicitários e arquitetos usam esta estratégia para unificar formas. Os exemplos então tanto em algumas logos famosas (como IBM e Unilever) quanto em detalhes de construções — como cúpulas de igrejas ou grandes edifícios com janelas padronizadas e paralelas.

7. Lei da Semelhança

Leis da gestalt-semelhança

Aqueles objetos que possuem formas, cores ou aparência geral semelhante também tendem a ser interpretados como uma só unidade. Na publicidade, essa lei geralmente é utilizada para criar releituras a partir do agrupamento de outras formas que são iguais ou parecidas entre si.

8. Lei da Pregnância

Leis da gestalt-pregnância

Essa lei (também conhecida como “boa forma”) nada mais é do que o princípio básico da percepção visual da Gestalt: sempre enxergamos a composição visual geral como um todo antes de nos aprofundarmos nos seus elementos mais complexos.

Assim, existem composições que seu cérebro consegue ler rapidamente e com clareza, pois são homogêneas e harmônicas. Os objetos que possuem essas características são classificados como de alta pregnância.

Por outro lado, um objeto de baixa pregnância tende a ter uma organização visual complicada e confusa, difícil de ser interpretada. Sendo assim, é possível afirmar que quanto maior for a pregnância da mensagem, mais eficiente será a comunicação com o seu receptor.

Depois de ler sobre o Gestalt é possível perceber que o designer conhecedor dessa teoria será capaz de formular estratégias de manipulação de elementos para criar composições inovadoras, melhorando a qualidade de seu trabalho e dialogando com o seu público de forma eficiente.

Se você quiser dar vida às suas peças e materializar a originalidade de suas criações, conte com a gente. Para isso, entre em contato conosco e descubra como podemos ajudá-lo!

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